Você sabia que mesmo tendo estudado em um programa de bacharelado em outra disciplina você poderia ingressar no mestrado em urbanismo na Université de Montréal? Arquitetura e urbanismo na UdeM é encarado como um campo multidisciplinar e aberto, que está no centro das mudanças sociais atuais e é uma possibilidade para estudantes de diferentes horizontes. Conversamos com dois brasileiros que estudam nessa área para explicar as diferenças da arquitetura no Brasil e no Quebec e as possibilidades oferecidas. 

A Faculdade de l'aménagement, que numa tradução direta seria ‘Faculdade de Planejamento’, reúne três escolas : a Escola de Arquitetura, a Escola de Design e a Escola de Urbanismo e Arquitetura Paisagística. Sendo assim, essa faculdade reagrupa todas as esferas do planejamento urbano e do design em programas como: arquitetura, design de interiores, design industrial (de produto), urbanismo, paisagismo, etc. São 250 professores, cerca de vinte unidades de pesquisa e 23 programas de estudos, todos dedicados ao estudo das interações entre o homem e seu ambiente, seja ele natural ou construído. Para explorar um pouco mais este universo conversamos com Amanda Carvalho, doutoranda em aménagement, e Alexandre Araújo, mestre em urbanismo pela UdeM desde 2019.


Diferentes opções para os graduados em arquitetura e urbanismo

Amanda se graduou no Brasil em arquitetura e urbanismo. Após seu mestrado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), resolveu continuar sua formação acadêmica no doutorado da UdeM. Ela nos explica que o doutorado em aménagement engloba todos os aspectos e forças da faculdade, isto é, o estudante pode explorar em sua pesquisa todas as áreas que são cobertas neste complexo (arquitetura, design, urbanismo e arquitetura paisagística, etc.). Atualmente, Amanda trabalha na UdeM como professora substituindo seu orientador que está em ano sabático. Ela nos conta que no Brasil a arquitetura e o urbanismo são estudados juntos, enquanto aqui no Québec são disciplinas separadas: “Aqui o urbanismo, além de ser uma graduação separada da arquitetura, também pode ser uma especialização que você pode fazer no mestrado. Você não estuda tudo junto como no Brasil, pode ser um complemento da sua formação. Sendo assim, muitos estudantes acabam fazendo o mestrado na sequência da graduação.
O mestrado em urbanismo, por exemplo, permite a quem fez a graduação em arquitetura fazer a prova da ordem dos urbanistas, o que abre outras portas profissionais”. Esse mestrado acaba sendo pertinente para os estudantes internacionais formados em arquitetura e urbanismo, pois os mesmos não podem fazer o mestrado em arquitetura se não tiverem feito a graduação no Canadá – esse programa é reservado para candidatos sem diploma profissional que é o caso do bacharelado em arquitetura no Canadá, ou seja, ele funciona como um complemento de formação certificado pelo Conseil canadien de certification en architecture e que dá ao diploma acesso à Ordre des Architectes du Québec. Diferente do que ocorre aqui, no Brasil os bacharéis em arquitetura e urbanismo já tem autorização para praticar a profissão com seu diploma mediante registro no Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), por isso o mestrado em arquitetura não é uma opção para quem já possui esse diploma profissional. Se esse é o seu caso, você tem duas alternativas de acordo com seus objetivos profissionais: a validação do diploma ou a continuação dos estudos através de uma especialização. A primeira consiste em apresentar seu diploma ao conselho da ordem para que seus estudos e diploma sejam reconhecidos no Canadá, um processo que pode ser bem longo. Já a segunda, consiste em buscar um programa de mestrado que aprofundará seus conhecimentos na área e te dará a oportunidade de conhecer professores e profissionais para começar a construir o seu networking. Além do mestrado em urbanismo, uma boa opção para os arquitetos e urbanistas brasileiros é o mestrado em aménagement, que oferece diferentes opções de especialização: montage et gestion de projets, conservation du patrimoine bâti, design urbain ou ville, territoire et paysage.

Amanda Carvalho, doutoranda em aménagement, e Alexandre Araújo, mestre em urbanismo explicam as diferenças do campo da arquitetura no Brasil e no Quebec. 

Essa separação das áreas permite que estudantes de formações diversas cursem o mestrado em urbanismo. Alexandre Araújo, formado pela Universidade Anhembi Morumbi, escolheu esse caminho, mesmo já tendo feito arquitetura e urbanismo no Brasil. Ele explica que esse mestrado é aberto aos estudantes que não possuem um bacharelado em planejamento urbano, mas que gostariam de se tornar planejadores urbanos. Segundo ele, essa abertura é um dos pontos fortes do programa: “Os olhares diversos que se cruzam fazem com que a maneira como abordamos o urbanismo seja mais rica e interessante. O método de aprendizado do mestrado em urbanismo permite que os estudantes desenvolvam seus conhecimentos por meio de oficinas e também de cursos mais teóricos. Professores e profissionais da área apresentam problemas e projetos e os estudantes trabalham em equipes de oficina. Um treinamento muito parecido com o mercado de trabalho em urbanismo do Quebec. A área de urbanismo aqui é algo muito mais reflexivo, um projeto será refletido e discutido durante muito tempo antes de virar desenho”. O mestrado em urbanismo leva aproximadamente dois anos (entre 45 e 60 créditos), é um programa de estudo credenciado pela Ordre des urbanistes du Québec, o que leva a empregos muito bons no mercado de trabalho. As oficinas diversas possibilitam a criação de vínculos com municípios e profissionais, encontros que podem gerar oportunidades futuras. O doutorado (90 créditos) leva um tempo maior que pode variar devido à realização da tese. Segundo Amanda, o doutorado é algo mais indicado para quem quer continuar no meio acadêmico, se engajar em pesquisa ou ainda para quem deseja trabalhar em órgãos públicos, sendo uma formação ampla e interdisciplinar.


Mercado de trabalho forte

Tanto Amanda quanto Alexandre explicam que o mercado de trabalho nessa área é bastante forte e oferece oportunidades diversas mesmo àqueles que não fizerem a prova da Ordre des urbanistes Québec ou da Ordre des architectes Québec. Ambos tiveram a oportunidade de trabalhar em escritórios aqui e eles explicam que, assim como a faculdade separa as disciplinas, os escritórios também separam, o que abre um leque de oportunidades. Os formados podem, por exemplo, trabalhar apenas com desenho, design de interiores, urbanismo, paisagismo, etc. 

“É uma profissão que muda constantemente e que reflete o momento devido aos desafios que enfrentamos como sociedade, os desafios ambientais e as necessidades econômicas”, explica Alexandre, que após trabalhar um tempo como urbanista, começou recentemente a exercer suas funções no cargo de arquiteto pelo governo federal. Ele trabalha para Services aux Autochtones como responsável pelas clínicas médicas em todas as comunidades indígenas no Quebec. Segundo ele, os arquitetos e urbanistas no Brasil são mais técnicos; aqui no Quebec ele descobriu que essa é uma área mais política, a reflexão está em primeiro plano. 

Sobre a experiência acadêmica, Amanda e Alexandre destacam a interdisciplinaridade como uma força da faculdade, além da estrutura dos prédios e laboratórios banhados por luz natural. Ademais, eles sublinham como grandes vantagens a atenção dos professores e funcionários e o acesso a dados da prefeitura e de vários órgãos públicos. E eles não esquecem de outro fator que fez muita diferença: Montreal! De acordo com Amanda e Alexandre, a cidade é um destaque à parte. “Uma cidade multicultural com um ambiente diferente dos outros lugares do Canadá. É uma cidade culturalmente rica e diversa e esta diversidade se reflete na Université de Montréal”, conclui Amanda.

Source: © Eva Blue - Tourisme Montréal

Département

École d'architecture

À propos de l'auteur(e)
Bruno C. A. de Jesus

Brésilien, passionné de musique et des hamburgers. Bruno est aussi titulaire d’une maîtrise en français langue étrangère et d’un baccalauréat en communication sociale et journalisme. Après avoir vécu plusieurs années en Suisse, il a déménagé à Montréal où actuellement il découvre les meilleurs cafés et friperies de la ville, tout en étant étudiant au doctorat en sciences humaines appliquées. Au cours de ses études, il a cumulé des connaissances interdisciplinaires variées surtout en sociolinguistique, linguistique queer et l’acquisition de langue étrangère. Ces travaux de recherche s’intéressent aux liens entre la langue, l’identité et la culture LGBTQi+.

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