Ela passa horas, muitas horas estudando. Com frequência, estende as jornadas até as 23h e é uma das últimas a deixar a biblioteca. A disciplina é fundamental: “Tem que encarar os estudos como se fosse um trabalho”.

Marina Lopes Lins é de Natal. Ela se formou em Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), passou na OAB, mas não enxergava o próprio futuro profissional na advocacia. Ainda durante o bacharelado, tornou-se tecnóloga em Comércio Exterior pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da capital potiguar. É nessa direção que está trilhando seu caminho.

Hoje, aos 28 anos, Marina é estudante do mestrado em Relações Internacionais na Université de Montréal, com foco na área de Cooperação, Desenvolvimento e Economia. Detentora da Bolsa C, ela diz que a experiência está sendo muito proveitosa:

“Aqui os professores estimulam muito o aluno a desenvolver um pensamento crítico. Estou gostando muito, apesar de ser bem difícil, porque requer muita dedicação e muito estudo.”

Marina divide a sala com no máximo vinte pessoas, o que favorece a troca de ideias durante as aulas. Mas para isso, o aluno tem que chegar preparado. “Você não pode achar que vai ler um texto deitado na sua cama e amanhã ir lá debater, porque você não vai conseguir. Tem que sentar, fazer uma reflexão, um resuminho do lado, para conseguir absorver o que está sendo dito ali e associar aquilo ao que você aprendeu”, aconselha.

Ela não esconde que as participações em sala de aula lhe causam um certo frio na barriga, principalmente pelo fato de ser tudo em francês. Mas a natalense encara o desafio. “Dei minha cara a tapa. A gente não aprende uma nova língua na zona de conforto”, ressalta. No início, ela escrevia os trabalhos em inglês, algo aceito por muitos professores, mas depois mudou de ideia. “A razão de eu ter escolhido a UdeM foi a vontade de terminar o mestrado com o francês fluente, então não havia sentido em fazer os trabalhos em inglês. Agora estou escrevendo tudo em francês, e tem dado certo.”

O mestrado em estudos internacionais permite que, ao invés de uma dissertação final, o estudante faça um estágio,que aliás pode ser em qualquer parte do mundo. Para terminar os créditos obrigatórios até o fim de 2017 e ficar livre para escolher onde fará seu estágio em 2018, Marina está decidiu fazer algo que poucos ousam: pegou quatro matérias num só quadrimestre – na América do Norte, o ano letivo universitário é dividido entre os períodos de outono, inverno e verão. Para dar conta de tudo, Marina ressalta a importância da disciplina, da organização através de um calendário pessoal (realista!) de tarefas e do comprometimento. “Você tem que tratar os estudos como se fosse um trabalho.” Não é à toa que ela acumula tantas horas na biblioteca, inclusive nos fins de semana. Como se não bastasse, ela ainda arranjou tempo para começar um voluntariado na Câmara de Comércio Latino-americana do Québec, onde tem a missão de buscar entidades brasileiras que possam se tornar futuros parceiros.

Em Montreal desde janeiro de 2017, Marina sente que está vivendo um grande crescimento pessoal. “Acho que já sou uma pessoa diferente desde que cheguei.” E embora as possibilidades de estágio se estendam de Ottawa a Tóquio, ela confessa que se encantou com Montreal. “Sinto que aqui existe um equilíbrio: as pessoas gostam de trabalhar, mas não gostam do estresse e preferem viver uma vida tranquila. Não sei o que a vida vai me trazer, mas se eu pudesse escolher, ficaria aqui”.